Como foi o workshop em Ilhabela
Desta vez a turma foi reduzida, com 2 fotógrafos e 2 desistências! A sorte foi destes 2 fotógrafos, o Luiz e o Cleber que puderam aproveitar ainda mais o meu acompanhamento. Fizemos uma aula teórica 1 semana antes falando sobre fotografia de longa exposição, explicando os conceitos básicos e também conceitos mais avançados.
Os meus workshops tem sido em modelo híbrido ultimamente. Uma parte online com 3 horas, 1 semana antes e a parte prática no final de semana seguinte. E eu também trabalho sempre com turmas reduzidas (4-6 pessoas). Quando eu ministro um workshop a minha prioridade é explicar bem o assunto e ficar acompanhando desde a composição, até qualquer dúvida que surgir entre os participantes, vou em cada um dou sugestões na composição, vejo se fizeram o foco corretamente, como estão os parâmetros, e também o uso de filtros de densidade neutra.
Apenas quando todos estão imersos e fotografando já sem ajuda é que eu pego a minha câmera, se sobrar tempo e fotografo. Quando sobre um tempo eu gravo alguns takes também tanto para recordação, quanto para usar em materiais de divulgação futuros.
Este é um exemplo de foto feita na praia do Pacuíba, em Ilhabela, durante o nascer do sol. Fiz apenas 2 fotografias nesta manhã, o resto do tempo foi auxiliando os participantes.
Tivemos dias de sol praticamente sem nuvem, tanto no sábado quanto no domingo.
Esta segunda foto foi feita na Cachoeira da água branca, com uma luz dura incidindo sobre a cachoeira. Aqui eu expliquei desde como fotografar cachoeira com uma luz dura, aproveitando os contrastes, até o uso do polarizador em conjunto com outros filtros e mostrando diversos exemplos de tempos de exposições diferentes.
Já no final da tarde fomos até o Píer Cabaraú, mais ao sul da Ilha. Desta vez eu procurei utilizar mais a grande angular e ficar mais próximo ao Píer. Eu já fotografei este mesmo local outras vezes em que estive na Ilha e você pode até conferir o vídeo abaixo deste mesmo local em outra época:
Já na manhã de domingo eu fiz uma das fotos que mais gostei, que foi na praia do Pinto, ao norte da Ilha.
A grande questão de fotografar o nascer do sol estava no horário. Nesta época do ano sem horário de verão tivemos que acordar as 03:40 da manhã para podermos fotografar na blue hour/ golden hour!
Eu gostei do cinturão de vênus nesta fotografia a seguir e decidi incluir um elemento natural no céu, uma parte de um galho de uma árvore espelhando o formato do Píer, um contraste entre o natural no céu e o artificial, ou feito pelas mãos humanas abaixo. Esta foto para mim serviu também para o desafio proposto pelo Fotoclub de contrastes invisíveis. (Natural/Artificial) .
"Do alto, um galho em silêncio escreve
no papel do céu a caligrafia do tempo.
Folhas contam segredos que o vento entende,
mas que o homem, distraído, esqueceu de ouvir.
Abaixo, um píer tenta tocar o infinito,
moldado por mãos que sonham ser deuses,
traçando linhas retas sobre o mar,
como quem deseja ordenar
o que nasceu para ser livre.
E ali, entre céu e água,
o invisível contraste se revela:
o galho não invade o mar
e o píer não alcança o céu.
E a fotografia não é mais apenas imagem
é um espelho silencioso
daquilo que tentamos alcançar
e daquilo que sempre esteve acima de nós."